O plasma rico em plaquetas — PRP — virou um dos tratamentos mais procurados no
consultório. Pacientes chegam pedindo por nome. Atletas profissionais postam o
procedimento nas redes. E a expectativa quase sempre é a mesma: evitar a cirurgia.
A resposta honesta é que o PRP é, sim, uma ferramenta poderosa — e que mudou a forma
como tratamos várias condições ortopédicas nos últimos quinze anos. Mas a indicação
correta é mais estreita do que a propaganda sugere. Vamos por partes.
PRP substitui cirurgia em algumas tendinopatias e em fases iniciais de artrose. Não substitui em rupturas estruturais. A questão não é “PRP ou cirurgia”, e sim qual é o estágio do problema.
O que diz a evidência atual
A literatura sobre PRP no joelho, hoje, é robusta o suficiente para sustentar
três conclusões clínicas claras — e descartar pelo menos duas promessas que
ainda circulam fora do consultório.
O que sabemos com segurança razoável:
- Tendinopatia patelar crônica: PRP reduz dor e melhora função em casos refratários ao tratamento conservador isolado.
- Artrose leve a moderada: ganho funcional e analgésico superior ao do ácido hialurônico em janela de 6 a 12 meses.
- Lesão meniscal degenerativa estável: alternativa ao desbridamento artroscópico em pacientes selecionados.
O que ainda não substituímos com PRP:
- Ruptura completa do LCA
- Lesão meniscal mecânica (com bloqueio articular ou em alça de balde)
- Artrose avançada — onde a discussão correta é prótese, não regeneração
“A pergunta não é se o PRP funciona. A pergunta é: para qual paciente, em qual estágio, e como parte de qual plano.”
Quando indicamos no consultório
Os critérios clínicos que usamos são consistentes — e nem sempre coincidem com o
que o paciente chega pedindo. Em ordem de peso:
- Tempo de evolução do sintoma maior que 3 meses
- Falha de tratamento conservador adequadamente conduzido (e isso não é “tomei anti-inflamatório por uma semana”)
- Diagnóstico estrutural compatível com benefício esperado
- Expectativa realista — discutida claramente em consulta
Como conduzimos o procedimento
Na MedEsport, o PRP é parte de um protocolo, não um evento isolado. Aplicação
guiada por ultrassom, com material descartável de centrifugação adequada, em até
três sessões com intervalo de duas semanas. Cada aplicação acompanhada de plano
fisioterapêutico — porque PRP sem reabilitação trabalha pela metade.
Reavaliação clínica em 6 e 12 semanas, com decisão objetiva sobre seguir, ajustar
ou escalar para outra etapa terapêutica.
Conclusão
PRP não substitui cirurgia. PRP integra a escada terapêutica — entre o
tratamento conservador e a cirurgia. Em muitos casos, essa é justamente a etapa
que faltava para evitar uma intervenção mais invasiva. Em outros, é apenas um
passo intermediário que prepara o terreno cirúrgico.
A diferença entre essas duas situações não está no PRP. Está na consulta — no tempo
de escuta, no exame físico, na revisão de imagens e na conversa franca sobre o que
cada tratamento entrega de fato. É isso que tentamos fazer no consultório, todos os dias.
